LEI E GRAÇA
Todos que são evangélicos já ouviram falar nestas duas palavras "lei e graça" porém existe um detalhe muitos afirmam que a graça elimina a lei, sendo assim não precisamos guardar a Lei pois hoje estamos debaixo da graça de Jesus se somos salvos pela graça não precisamos mais obedecer a Lei? Se a lei não precisa ser obedecida então não é pecado adulterar? E o que dizer de roubar o próximo? Se Cristo aboliu a lei então nós não precisamos mais de um Salvador porque onde não há lei também não a transgressão, como entender esta questão? A Graça veio depois da morte de Jesus ou antes? Se dependemos da Graça de Cristo para nos salvarmos, como Noé se salvou e Abraão, Davi? Veja a leitura abaixo:
LEI E GRAÇA
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O mundo religioso tem sido
ensinada uma doutrina de graça, que não é nada menos que uma doutrina de
desgraça. O Salvador tem sido mais apresentado como Alguém que nos livra de
guardar os mandamentos de Deus, do que como Aquele que nos salva de os
transgredir. Uma chamada fé dessa espécie tem sido apresentada como substituto
da obediência à santa lei de Deus." (1)
É deveras lamentável que o mundo chamado cristão
apresente um tipo de graça que tem mais o sentido de indulgência ou de manto acobertador
de certas iniqüidades do que propriamente o dom divino que consiste em amorável
oferecimento de salvação aos transgressores da lei moral.
A tecla surradíssima da lei contra a graça (a maior
deturpação teológica dos tempos) é insistentemente batida pelo autor do livro.
Chama-se a isto dispensacionalismo,
que pretende definir duas épocas distintas, uma da lei, outra da graça – idéia
que hoje é desprezada pelos mais cultos pesquisadores do Livro Santo. Às págs. 41 e 42 afirma o nosso acusador que a lei foi
abolida e substituída pela graça (sic) e às págs. 44, 45 e 48, com argumentos
especiosos acentua que não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça, dando
a entender que uma coisa destruía a outra. Como vamos demonstrar, só mesma uma
irremediável vesguice teológica poderia estabelecer CONTRADIÇÃO entre a lei e a
graça, ou entre a lei e o evangelho.
No capítulo anterior, situamos a lei no seu devido
lugar, definindo seu uso legítimo, sua verdadeira função e, consequentemente,
sua inab-rogabilidade. Hoje precisamos considerar o legítimo conceito da graça.
Não vamos entrar em terreno especulativo. Não consideraremos, por exemplo, a
graça "universal" como a entendia Wesley; nem o conceito restrito de
Armínio ou a singular graça "da criação," defendida por Pelágio. Para
maior luz no assunto, temos que nos distanciar desses backgrounds
teológicos discordes e até rebarbativos. Vamos analisar a deturpação do
conceito de graça entre os professos cristãos, como se observa nos dias atuais,
para justificarem a não-observância dos mandamentos de Deus.
Que é graça? Responde, com propriedade, o teólogo
batista A. H. Strong:
"A graça é favor imerecido concedido aos pecadores." (2) É uma
atitude de liberalidade divina, generosidade inefável, concedendo-nos a salvação
como um dom, já que estávamos
irremediavelmente condenados. É uma oportunidade conferida aos pecadores e que
tem o sentido de uma dívida perdoada, de um indulto outorgado, de uma
libertação sem paga, de um jugo desatado, de uma carga retirada dos ombros.
Graça é a mais alta expressão do amor de Deus, que se tornou objetiva no
sacrifício oblativo de Jesus em favor dos pecadores, ou seja, dos
transgressores da lei divina.
A lei é exigente. Condena. E justamente porque ela
traz condenação e não provê salvação, temos que apelar para a graça. Definindo
a relação entre a lei e a graça, disse Agostinho: "A Lei é dada para que a
Graça possa ser exigida; a Graça é concedida para que a Lei passa ser
cumprida." (3)
Entende, no entanto, o nosso oponente que a graça
anulou a lei, repetindo surrado e superado desconchavo teológico. Mas contra
este absurdo levanta-se Strong,
o batista, e diz claramente: "A graça, contudo, não deve ser entendida
como se ab-rogasse a lei, mas sim como reafirmando-a e estabelecendo-a (Rom.
3:31 'estabelecemos a lei'). Pelo fato de remover o que impede o perdão que
Deus concede, e de habilitar o homem a
obedecer, a graça a assegura o perfeito cumprimento da lei (Rom. 8:4 'para
que a justiça da lei se cumprisse em nós')." (4) Grifos nossos.
Aí está um conceito exato do renomado mestre batista
que leva o nosso pleno endosso. E prossegue: "Assim a revelação da graça,
conquanto esta compreenda e inclua em si
mesma a revelação da lei, acrescenta algo diferente em espécie, a saber, a
manifestação do amor pessoal do Legislador. Sem a graça, a lei tem apenas um
aspecto exigente. Somente em harmonia com a graça ela se torna 'a lei perfeita
da liberdade' (S. Tia. 1:25)." (5) Grifos nossos. E a lei mencionada por
Tiago (cap. 2:10-12) é insofismavelmente o decálogo.
De fato, como foi dito, se a lei tivesse sido
abolida, não haveria transgressão e, necessariamente, não haveria condenação. E
não havendo c0ndenaçào, não há
necessidade de graça. Sem lei não há graça. Uma pressupõe a outra. A graça,
além de nos salvar da condenação da lei, habilita-nos a vivermos em harmonia
com os preceitos celestiais, com o padrão divino. Não há contradição mas uma
interdependência entre lei e graça. Elas harmonizam-se e completam-se em suas funções.
O autor do livro – escorado nos frágeis pilares de
Canright – defende o dispensacionalismo e crê que, depois de Cristo a graça
suplantou a lei, substituiu-a, anulou-a, destruiu-a. Afirma que, com a morte de
Cristo, findou-se a jurisdição da lei, iniciando-se a da graça. E é desse jeito
que entende ele o "estar debaixo da lei" e o "estar debaixo da
graça," realçando que a graça existe da morte de Cristo para cá. Se isto
fosse verdade, gostaríamos de perguntar como se arrumaram os pecadores dos
tempos do Velho Testamento? Como se teriam salvo? Este ponto não pode ser
passado por alto porquanto as Escrituras ensinam claramente que a salvação é
obtida unicamente pela graça. E se a graça não existia antes da cruz, segue-se
que os pecadores que viveram nos tempos patriarcais e posteriores não se
salvaram. Viveram antes da graça, para sua perdição. Ou – se como querem alguns
– os pecadores do Velho Testamento se teriam salvo pelas obras da lei, forçoso
é convir que o Céu estará dividido em dois grupos: um grupo a proclamar
orgulhosamente ter-se salvo pelos
seus méritos e esforços, por terem guardado a lei (e isto seria um insulto a
Jesus, um ultraje ao Seu sacrifício e ao Seu sangue), ao passo que o povo que
viveu depois da cruz lá estaria a proclamar humildemente os louvares de Cristo,
que lhes deu a vida eterna. Seria isto possível? Seria concebível?
Não, não há na Bíblia tal coisa: uma jurisdição da
lei e outra da graça, separadas pela cruz. Isto é danosa invencionice humana,
ofensa ao plano de Deus. Tal conceito é blasfemo e deve ser rejeitado. A
verdade é bem outra. Diz a Bíblia que a graça vem de "tempos eternos"
(Rom. 16:25). que o "Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo"
(Apoc. 13:8), e que "a graça nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos." (II
Tim. 1:9). Portanto, os pecadores sob o Velho Testamento também se salvaram
pela graça. Como afirma que veio depois
da cruz?
Abraão foi salvo pela graça. Gál. 3:8; Rom. 4:3.
Davi não se salvou pelos próprios méritos, mas pela
fé em Cristo. Rom. 4:6.
A graça está estendida a TODOS os homens. Tito 2:11;
Rom. 5:18. Estava planejada antes mesmo da queda e começou a vigorar desde Gên.
3:15, mas um dia será retirada. Apoc. 10:11-13. Cessará então de vigorar. Em
matéria de salvação todos os homens, em todos os tempos estiveram debaixo da
graça. Em Heb. 11 se alinham os vultos exponenciais do Velho Testamento que
agiram, viveram e se salvaram pela fé. Os sacrifícios de cordeiros e oferendas
que o Israel fazia na antigüidade, simbolizava a sua fé no futuro Messias –
verdadeiro "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo." Era a
maneira de expressar a fé em Cristo. Não expressava obras, mas fé.
No Céu só haverá uma classe de pessoas: a dos salvos
pelo Cordeiro. Eis a descrição dos remidos, na bela antevisão joanina. "E
cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus
selos; porque foste morto, e com o Teu
sangue compraste para Deus homens de
toda a tribo, e língua, e povo, e nação." Apoc. 5:9. Portanto, a graça
abrange TODOS os períodos da História.
Pré-Cruz ou Pós-Cruz
Mas – e vem a objeção – Paulo não disse claramente
aos romanos, que não estavam mais "debaixo da lei" mas "debaixo
da graça"? Sim, disse. Mas com tais expressões quereria ele acaso dizer
que não necessitamos guardar os mandamentos contra o adultério, a idolatria, o
homicídio, o roubo, a mentira etc., enfim o conteúdo do Decálogo? De modo
nenhum, pois os argumentos expendidos na mesma epístola são contrários a essa
desastrosa conclusão. Leiam-se, por exemplo, os cap. 7:12,14 e 22; 3:31 e
outras passagens.
Analisemos, com muita atenção, o verdadeiro sentido
da expressão paulina. Qual o assunto que Paulo tinha em mente ao escrever aos
crentes de Roma? Estaria ele querendo diferenciar a lei do Velho Testamento e a
lei do Novo Testamento? Não! Queria ele estabelecer conflito ou contradição entre lei e graça? Também não! Estaria
indicando várias maneiras de salvação? Não!! (Rom. 3:31). Então, a que se
referia o apóstolo, ao dizer "debaixo da lei" e "debaixo da
graça?" Referia-se à mudança que
ocorre no indivíduo por ocasião de sua conversão, mudança do "velho
homem" para o "novo homem," do pecado para a santidade, da
condenação fatal para a graça libertadora.
Paulo está se dirigindo a homens crentes, a cristãos batizados, a homens convertidos. Não a ímpios, pagãos ou a
transgressores da lei divina. Leiam-se os versos 2 e 4. Diz o verso 6:
"sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o
corpo do pecado seja desfeito, para que não
mais sirvamos ao pecado." Claro como a luz que o capítulo se refere à
conversão e não à mudança de dispensações. Notemos cuidadosamente que ele diz:
"assim também considerai-vos como mortos
para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor." (v.
11).
A respeito de quem se afirma isso? Somente a
respeito do homem convertido – membros da igreja de Roma, que não mais
transgrediam a lei, pois viviam em harmonia com ela. Paulo os exorta a não mais
volverem ao pecado. "Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo
mortal..." (v. 12).
Pecado – como o define a Palavra de Deus – é
transgressão da lei. I S. João 3:4. Paulo está exortando os romanos a não se
deixarem arrastar pelas paixões carnais, voltando assim a transgredir a lei de
Vens. E no v. 14: "Porque o pecado não terá domínio sobre vós..." Por
quê? Porque a lei foi abolida? Não. Mas porque já tinham abandonado o pecado,
cessaram de transgredir a lei. O próprio argumento paulino mostra, de modo
inequívoco, que era precisamente isto que ele queria dizer. "... o pecado
não terá domínio sobre vós, PORQUE não estais debaixo da lei (não mais a
transgredis, não estais mais sujeitos à sua condenação, não vos colocais
debaixo dela como antes) mas debaixo da graça (do favor imerecido que Deus vos
concedeu de serdes redimidos por Cristo.)
Sim, é a CONVERSÃO o grande tema vertente de Paulo.
O sentido exato e completo do v. 14 é este: "tendo abandonado os vossos pecados,
tendo cessado de quebrar a lei, tendo crido em Cristo e sendo batizados, vós
agora não sois mais governados pelo pecado ou pelas paixões, nem sois
condenados pela lei, porque achastes graça à vista de Deus, que vos concedeu
este favor imerecido, e os vossos pecados foram perdoados."
Claríssimo! Portanto, não estar DEBAIXO DA LEI, é
não estar sob sua condenação. Não há conflito entre lei e graça. "Pois
quê? Pecaremos (isto é, transgrediremos a lei) porque não estamos debaixo da
lei (da sua condenação) mas debaixo da graça (do favor divino)? De modo nenhum.
Portanto, a própria conclusão paulina destrói inteiramente a tese de um suposto
conflito entre lei e graça. Mesmo porque se "não estar debaixo da
lei" significa que não devemos obedecer-Lhe, segue-se então que podemos
transgredi-la à vontade. Porém Paulo faz sustar imediatamente esta idéia
blasfema com um categórico "De modo nenhum."
Credenciada autoridade evangélica sentenciou, com
relação a Rom. 6:14: "A graça não importa em liberdade para pecar, mas
numa mudança de senhores, e numa nova obediência e serviço. A graça não anula a
santa lei de Deus, mas unicamente a falsa relação do homem para com ela."
(6)
Outra passagem – muito do gosto dos anominianos –
também citada e torcida, à pág. 44, é Gál. 5:18: "... se sois guiados pelo
Espírito não estais debaixo da lei." Também neste caso, quais os que não estão debaixo da lei?
Somente os que são guiados pelo Espírito, ou seja, os convertidos, os fiéis, os crentes, os que não
seguem as concupiscências, os que não transgridem a lei de Deus – em suma – os
que não cometem pecado. Os ímpios, os pecadores NÃO são guiados pelo Espírito,
portanto eles estão debaixo da lei,
da sua condenação, porque a transgridem. Não há aí a mais leve alusão à
abolição da lei de Deus. Só uma exegese obtusa conduziria a tal conclusão.
Consideremos agora a absurda posição dos oponentes.
Dizem que pela expressão "não estamos debaixo da lei" Paulo quis
dizer que a lei fui abolido e, portanto, não precisamos mais cumprir os seus
preceitos. Passou a lei, sua época e sua função – segundo dizem. Ora, se isto é
verdade, então NINGUÉM está debaixo da lei, quer seja ou não guiado pelo
Espírito. Se ela passou, não atinge mais a quem quer que seja. Daqui não há
fugir. Mas Paulo profliga este erro, declarando explicitamente que a fim de não
estarmos debaixo da lei, temos que ser guiados pelo Espírito. Como se destrói
por si a conclusão errônea dos anominianos!
A idéia de se estar "livre da lei" e,
portanto, não sujeito à sua obediência, não é nova. Ela surgiu pela primeira
vez, em 608 A. C. aproximadamente, nos tempos do profeta Jeremias. Naquele
tempo, este argumento indigno foi empregado pelo rebelde povo de Judá a fim de
justificar a sua transgressão da lei de Deus. Consulte-se, de preferência nas
versões Brasileira ou Trinitária, a repreensão de Deus ao Seu Povo, em Jer.
7:8-10: "Eis que vós confiais... furtareis, matareis, adulterareis... e direis: fomos livrados a fim de fazer
todas estas coisas."
Um fato inegável: os cristãos de qualquer
denominação crêem que eles não devem jurar, matar furtar, mentir, cobiçar etc.
Em outras palavras, crêem que devem guardar os mandamentos. Os adventistas
crêem o mesmo, com a diferença que o fazem em relação a todo o decálogo, incluindo necessariamente o quarto mandamento. Ora
se nós os Adventistas do Sétima Dia estamos "debaixo da lei" porque
cremos na guarda dos dez mandamentos, então os demais cristãos estão nove
décimos (ou noventa por cento) debaixo da lei, pelo fato de guardarem nove
preceitos do decálogo. "Coerência, és uma jóia!"
Outro fato de suma gravidade: costuma-se usar a
expressão "não estar debaixo da lei" mas "debaixo da graça"
UNICAMENTE para se justificar a desobediência ao quarto mandamento. Ninguém a
emprega para justificar a quebra de outros mandamentos do decálogo. Creio
honestamente que aqueles que a usam para fugir à guarda do sábado, não sentem
nenhum desejo de roubar, matar ou adulterar. Sei que estas coisas lhes cansam
horror. Mas, com tal atitude, apenas provam que não é o mandamento de Deus que os inibe de adulterar, matar,
cobiçar etc., mas sim a educação que receberam, a vigilância social e a opinião
pública. Se a prática desses horríveis pecados fosse coisa aceita (como o eram
em alguns ritos bárbaros), então não titubeariam em dizer que praticariam tais
coisas porque "não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça." A tal
extremo conduziria o anominianismo, servindo-se de suas bases capciosas de
argumentação.
Note-se que há índios e nativos antropófagos que
matam impiedosamente e a sua consciência não os
acusa. Erro crasso é supor que a guarda dos mandamentos é questão de
consciência. Religião cristã não se baseia na consciência mas é uma religião revelada. Está escrito o que devemos fazer e o que devemos evitar de fazer e isto
é cumprido quando o Espírito nos toca o coração. A consciência, muitas vezes,
mesmo crendo estar sendo dirigida por Deus, acomoda-se. A consciência não é um guia seguro. O seguro está na revelação. Vamos cumpri-la. A Escritura
tem muito que dizer sobre a consciência, como base precária e enganosa. Fala de
"consciência cauterizada" (I Tim. 4:2) consciência "faca"
(I Cor. 8:7). Somente a revelação divina não se cauteriza nem se enfraquece. É
inalterável porque o seu elemento é só divino.
Tremenda contradição do autor: diz e reitera, em
várias lugares, que a lei foi abolida por
Jesus. Mas em face do insofismável argumento dos Adventistas do Sétimo Dia
de que se foi abolida, não está em vigor e, portanto, é lícito matar, furtar,
etc. replica – em desespero de causa – que nove dos mandamentos foram
revigorados, reafirmados no Novo Testamento.
Ora, se isto é verdade, então qual foi o papel de
Cristo? Aboliu, com Sua divina autoridade, uma lei que, após a Sua morte seria
reeditada em noventa por cento? Como poderia Ele, o Mestre dos mestres, ser
desautorado desta maneira? Se Ele derrogou a lei, qualquer que, posteriormente,
a restaurasse seria um Seu oponente, estaria virtualmente contra uma medida
anulativa de Jesus.
Notem os leitores que absurdo! Notem que posição
comprometedora! Vejam a que reduzem a autoridade de Cristo: torna nulo um
código e, tempos depois de Sua morte, os Seus seguidores revogam a anulação e
reeditam o mesmo código. Haverá coisa mais disparatada? Meditem seriamente
neste fato as mentes equilibradas.
Nós cremos, no entanto, que todos os mandamentos se
reafirmam no Novo Testamento. Por preceito ou por exemplo. Há, nele, alusões inequívocas à guarda do
sábado por motivo de ser o sábado. S. Luc. 4:16; Atos
16:13. S. Luc. 23:56 etc. Não se tratava de "agradar" judeus, mas de guardar o quarto mandamento. E se não é
citado litera ad litera o mandamento é porque tal era o rigor de sua
guarda, que não havia mister citá-lo. Era ponto pacífico. Ninguém iria
contestar a legitimidade de sua guarda.
A propósito, o mui ilustre batista Alvah Hovey,
emérito bacharel em teologia, referindo-se aos apologistas, em um conhecido
trabalho sobre o cânon do Novo Testamento, em 1881, endossa a declaração de
Lightfoot de que o silêncio de que o
silêncio de um determinado assunto constitui uma evidência a favor do mesmo.
E conclui: "Era supérfluo apresentar provas a favor daquilo de que ninguém
duvidava."
Seria admitir que "o silêncio dos servos de
Deus no Novo Testamento, no vale a Judéia, é de mais peso que os trovões do
próprio Deus no monte Sinai."
É pena que haja espíritos que sejam incapazes de
ouvir a voz de Deus, por causa do silêncio dos apóstolos. E mais adiante, em
outro capítulo, provaremos que o sábado do sétimo dia jamais foi cerimonial
–coma querem entender os nossos acusadores.
Referências:
(1) O Que Vale Mais do que o Dinheiro, série
V. A., pág. 1.
(2) A. H. Strong, Systematic Theology, pág. 779.
(3) Citado
em Paul and the Law, Charles D. Utt.
(4) A. H. Strong, op. cit., pág.
548.
(5) Idem,
pág. 549.
(6) Vincent. Word Studies, vol. 3, pág. 11.
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