O LIVRO DE ROMANOS E A CRISE SOTERIOLÓGICA
ROMANOS
Embora o livro de Romanos pareça ser uma carta universal,
pelo menos é o que os seus primeiros onze capítulos pareça mostrar, mas ao
continuar a leitura os cinco últimos capítulos o leitor toma conhecimento de
uma comunidade em particular com necessidades particulares, isso mostra que
este livro não é universal e sim foi escrito para uma comunidade, embora os
primeiro onze capítulos tenham em sua aparência conteúdos universais vemos ali
certa ênfase que Paulo achou especialmente necessária dar aos crentes em Roma
uma base justa para o julgamento dos que não conheciam a lei judia.
Pulo endereça sua carta aos crentes, "A todos os amados
de Deus, que estás em Roma, chamados para serdes santos" (1:7).
Segundo Moody em
Romanos ela não subentende uma organização eclesiástica fortemente unida, e o
capítulo 16 dá um quadro de pequenos grupos de crentes em vez de um só grupo
grande e que uma grande parte do conteúdo se relaciona com o povo judeu.
Os leitores da carta aos Romanos são tratados de um modo que
não deixa dúvidas, quanto ao fato de serem predominantemente gentios (Rm. 1:5,
6;1:13; 11:13; 15:15, 16). É certo que provavelmente havia cristãos judeus na
igreja, mas constituíam a minoria. Não existem documentos do primeiro século
que nos forneçam informações sobre quando a igreja de Roma foi organizada
apenas algumas hipóteses como, por exemplo, a de que "estrangeiros em
Roma, judeus e prosélitos", que testemunharam a vinda do Espírito Santo
(Atos 2:10) retornaram à cidade, e organizaram ali um núcleo de crentes.
Entretanto, os cristãos, depois do Pentecostes, não se sentiram imediatamente
diferentes dos judeus, nem começaram a organizar igrejas locais separadas das
sinagogas é daí o começo da igreja cristã em Roma, mas essa alternativa é pouco
provável (Comentário Bíblico Moody).
Moody ainda traz mais uma sugestão sobre a origem da igreja
em Roma foi organizada por missionários da Antioquia (cons. Hans Lietzmann, The
Beginnings of the Christian Church, trad. Bertram Lee Woolf, págs. 111,133,
199). Uma vez que Antioquia era um centro missionário, parece certamente
plausível, mas a mais aceitável é de que essa igreja foi organizada e cresceu
com os convertidos por Paulo, Estêvão e outros apóstolos que viajaram a cidade
imperial a negócios, ou para se estabelecerem lá.
CRISE SOTERIOLÓGICA
A epístola de Romanos foi escrita em resposta ao legalismo
que permeava entre o povo escolhido e seus mais representativos líderes que
tentavam apresentar a salvação de maneira legalista. A entrada desses conflitos
na igreja apostólica motivou a convocação do primeiro concílio da Igreja Cristã
(At 15:1-35).
Para compreender o legalismo temos que entender como era a
busca pela salvação no Antigo Testamento, então vamos ver um pouco sobre isso:
A busca pela salvação através de obras meritórias esteve
implícita e explicitamente em evidente conflito com o ensinamento bíblico um
exemplo claro está em Genesis 3:1-24 quando o homem procurou se livrar do seu
senso de culpa por seus próprios atos, tecendo para si roupa de folhas de
figueira.
Essa atitude se contrapõe com a verdade salvífica ensinada e
ilustrada por Deus ao tecer a vestimenta de peles, símbolo do futuro sacrifício
do Messias (Gn 3:21). Aqui está um exemplo claro de que o ser humano sempre
tentou o meio legalista para se salvar e deixando muitas vezes as orientações
divinas para alcançar tal objetivo. A libertação deve se centralizar na ideia
de sacrifício cujo doador seja o próprio Deus como disse Moises “Porque a vida
da carne está no sangue, Eu (Deus) vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer
expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da
vida" (Lv. 17:11; cf. Sl 50:9-13). Ficam bem claras as palavras de Moises,
é o sangue quem faz expiação pelos nossos pecados.
Não vamos seguir o mesmo exemplo errado do povo de Israel
que muitas vezes teve uma atitude contraria ao ensino de Jeová tentando por
méritos humanos alcançar a salvação.
A lei foi dada por Deus e transmitida a Moises (Ex 31:18); que
passou para Josué que por sua vez a passou aos anciãos, que estes passaram para
os profetas que foram responsáveis por comunicar os membros da assembleia, que
eram cento e vinte anciãos liderados por Esdras o escriba e por seus
companheiros, os soferim (contadores de letras), todo esse zelo por essa
tradição conduziu o povo hebreu ao legalismo que por sua vez foi se estendendo
geração após geração.
‘’Na sociedade judaica a importância da ética era enfatizada
em detrimento do significado salvífico de sua religião, tão claro na teologia
do concerto’’. Ao adotar essa postura teológica no conceito legalista da
salvação fez com que os israelitas tivessem uma postura legalista e isso
influenciou o cristianismo judaico, que se desenvolveu a partir da Palestina.
“A justificação é, portanto, um ato da Divindade através de
Cristo pelo homem, através do Espírito Santo no homem, para que o homem
transformado pela graça possa obedecer aos reclamos divinos”.
Os ensinos de Cristo através de suas parábolas, o concilio
de Jerusalém e a pregação apostólica em especial a de Paulo, evangelização dos
gentios que deixou a igreja apostólica sem a predominância judia fazendo surgir
outros centros de influência religiosa, a destruição de Jerusalém que fez
desaparecer o centro teológico da Igreja na Palestina transferindo para outras
cidades do mundo greco-romano e a consequente fuga dos judeus dessa região
descentralizou a direção da Igreja para outras partes do mundo sendo assim
pontos importantes para a resolução da crise soteriológica.
(Por Jonas Ariel Bacharel em teologia)
Comentário
Bíblico Moody.
Tese doutoral de Luiz Nunes
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